Antes de falarmos sobre SEO para IAS, precisamos entender que, durante duas décadas, o marketing digital girou em torno de uma métrica simples: o clique. O SEO nasceu para gerar tráfego. O tráfego trazia visitas. E as visitas geravam vendas. Mas a IA generativa mudou tudo.
O que antes era um funil previsível se transformou em uma jornada invisível, fragmentada entre mecanismos como ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity e TikTok Search.
Hoje, a conversão começa antes do clique — e a métrica que define o sucesso de uma marca não é mais a posição no Google, mas o quanto ela é mencionada, lembrada e confiada pelos algoritmos generativos.
É aqui que nasce o GEO (Generative Engine Optimization) — ou, em português, o SEO para IAs.
A jornada invisível do usuário
Segundo o estudo da Conversion (2025), o comportamento de busca no Brasil vive uma das maiores transformações desde o surgimento do Google. O usuário já não segue mais uma jornada linear dentro de um site há muito tempo.
O próprio Google já nos trouxe o famoso estudo conhecido por The Messy Middle.

Agora, descoberta e decisão estão migrando também para dentro de plataformas generativas e sociais, como o ChatGPT, Gemini e o próprio TikTok.
Essas IAs resumem jornadas e aceleram decisões, funcionando como assistentes que filtram, interpretam e recomendam antes mesmo do usuário clicar.
O papel das marcas, portanto, não é mais “ser encontrada” — é ser citada e recomendada.
A métrica do futuro não é o clique, é a menção.
O que o estudo “O Impacto da IA nos Sites do Brasil” revelou
O levantamento conduzido pela Conversion, com análise de mais de 290 milhões de acessos entre julho/2024 e agosto/2025, mediu o impacto real das ferramentas de IA no tráfego dos sites brasileiros.
1. Crescimento inicial do SEO para IAs, mas ainda pequeno
Julho/24: ~1.200 sessões vindas de IA.
Maio/25: 14,6 mil sessões — um salto de 7x em seis meses.
Participação média: 0,3% a 0,5% do tráfego total.
O crescimento é expressivo, mas ainda não representa uma migração consolidada de hábito.
O público está testando as IAs como buscadores, mas ainda confia no Google para resultados finais.
Insight Mariana Bueno da Alaska: estamos na fase do “early testing”. O usuário pesquisa na IA, mas valida no Google.
2. Google ainda domina o jogo
Os buscadores tradicionais representaram 23,85% do tráfego total (podendo chegar a 45% em sites específicos).
A IA, mesmo em ascensão, permanece abaixo de 1%.
Conclusão: a IA complementa, não substitui o Google — por enquanto.
3. O tipo de conteúdo faz toda a diferença
Sites com conteúdo consultivo (educativo, explicativo, comparativo) tiveram até 2,5% do tráfego vindo de IAs, enquanto e-commerces e sites institucionais ficaram abaixo de 0,3%.
Isso revela o novo fator de relevância:
quanto mais semântico, estruturado e informativo for o conteúdo, maior a chance de ser citado por mecanismos de IA.
Insight Mariana Bueno da Alaska: o futuro da indexação é SEO + Semântica + Estrutura lógica para IA.
4. Conversão ainda é baixa — mas crescente
A taxa média de conversão do tráfego de IA é de 0,39%, chegando a 0,78% em julho/25 — quase o dobro da média anterior.
O volume ainda é pequeno, mas o nível de intenção é alto.
O público que chega por IA pode ser menor, mas vem mais decidido.
O fim do SEO de cliques e a ascensão da orquestração de buscas
O SEO tradicional ainda é a base de descoberta.
Mas a IA está mudando a lógica da atenção.
O modelo de atribuição “last-click” está morrendo.
O funil deixou de ser linear — e virou uma rede de influência cognitiva.
As marcas que entenderem essa nova orquestração — Google + IA + redes sociais + creators + reviews — vão dominar o jogo da presença.
“Sua marca precisa estar onde o cliente estiver — seja no Google, nas IAs do próprio Google (Gemini, AI Overview) ou nas plataformas independentes como ChatGPT, Claude e Perplexity.”
— Rafael Rez
Em outras palavras:
O futuro do marketing não é sobre cliques, é sobre presença.
Os novos pilares da estratégia de conteúdo na era do SEO para IAs
O estudo da Conversion e o Guia de Estratégia de Conteúdo 2025 convergem em oito pilares fundamentais para dominar o SEO para IAs:
1. Personas Multicanal
O comportamento está mais fragmentado do que nunca.
Mapeie o que cada persona faz em cada canal — Instagram ≠ LinkedIn ≠ ChatGPT ≠ WhatsApp.
A IA amplifica o poder da descoberta, mas cada ambiente exige uma linguagem própria.
2. Estratégia orientada por dados
Conteúdo deve nascer de interpretação de dados — buscas, tendências e jornada do cliente.
Cruze insights entre Google, IA e redes sociais.
Quem dominar dados dominará o discurso das máquinas.
3. Pesquisa acelerada com IA
Use a IA para acelerar a pesquisa e personalização, não para substituir o estrategista.
Curadoria humana continua sendo o diferencial entre volume e profundidade.
4. Quantidade com qualidade
As LLMs (Large Language Models) valorizam conteúdo elaborado, com estrutura e contexto.
Volume importa — mas com intenção e consistência.
5. Conteúdo autêntico e autoridade humana
Em um mar de IA, autenticidade é vantagem competitiva.
Voz humana, visão crítica e experiência prática são o que as máquinas não conseguem imitar.
6. SEO + GEO
O SEO para IAs exige pensar como as máquinas pensam.
Estruture textos com headings claros, dados, semântica e contexto.
As IAs não leem — elas interpretam.
7. Distribuição multicanal
Conteúdo precisa ser um sistema vivo.
Não é publicar uma vez: é redistribuir, adaptar e multiplicar formatos (texto, vídeo, áudio, imagem, podcast, newsletter, snippet de IA).
8. Mensuração e aprendizado contínuo
KPIs clássicos (tráfego, leads, conversão) agora convivem com novas métricas:
Share of Search
Menções em IAs generativas
Citações de marca (brand mentions)
Volume de busca de marca
Novos fatores de rankeamento em IAs
Segundo dados da Ahrefs citados pela Conversion, os fatores com maior correlação para aparição em resumos de IA (AI Overviews) são:
| Fator | Correlação |
|---|---|
| Menções de marca na web | 0.664 |
| Anchors de marca (links com nome da marca) | 0.527 |
| Volume de busca pela marca | 0.392 |
| Autoridade de domínio (DR) | 0.326 |
Esses números reforçam que o branding é o novo SEO técnico.
Ser citado é mais valioso do que apenas ser linkado.
O que muda daqui pra frente
1. O presente ainda pertence ao Google
A IA ainda representa menos de 1% do tráfego total.
Mas já influencia a decisão do consumidor.
2. O futuro está sendo desenhado agora
As respostas de IA moldam percepções antes do clique.
A batalha está migrando da busca por tráfego para a busca por confiança.
3. Não é hora de revolução — é hora de observação
Marcas inteligentes estão criando dashboards para monitorar citações em IAs e testar formatos semânticos.
4. Conteúdo consultivo é o mais beneficiado
O estudo confirma: quanto mais educativo e estruturado o conteúdo, mais ele aparece nas respostas generativas.
5. IA como canal de branding, não de performance
Hoje, a IA é sobre presença estratégica, não conversão direta.
É o início da era da influência sem clique.
Conclusão: SEO para IAs é a nova disciplina do marketing cognitivo
O SEO para IAs não é o fim do SEO.
É sua evolução natural — da indexação de páginas para a orquestração da confiança.
A IA não destruiu o SEO. Ela eliminou o SEO raso.
O conteúdo que sobrevive é aquele que combina ciência, semântica e autenticidade.
O desafio agora é duplo:
Manter o presente comprovado (Google e SEO clássico).
Testar o futuro potencial (IA e GEO).
FAQ – Perguntas Frequentes sobre SEO para IAs
1. O que é SEO para IAs?
SEO para IAs (ou Generative Engine Optimization) é a otimização de conteúdo para mecanismos de busca baseados em inteligência artificial — como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity. O objetivo é fazer com que o conteúdo da sua marca seja compreendido, citado e recomendado por essas IAs.
2. O SEO tradicional vai acabar por causa da IA?
Não. O estudo da Conversion mostra que os buscadores ainda representam mais de 23% do tráfego total, enquanto as IAs ficam abaixo de 1%. O SEO não acabou — ele evoluiu. Agora, deve coexistir com o GEO (otimização para IA generativa).
3. Como otimizar conteúdo para IAs generativas?
Estruture o texto com clareza semântica (headings, listas, dados objetivos), use linguagem natural e adicione fatores de autoridade — como autoria humana, fontes verificáveis e menções de marca. As IAs priorizam conteúdo confiável, técnico e bem explicado.
4. Qual a diferença entre SEO e GEO?
O SEO tradicional otimiza para o Google e buscadores clássicos.
O GEO (Generative Engine Optimization) otimiza para mecanismos de IA generativa, que não apenas mostram links, mas geram respostas completas. No GEO, o foco é ser citado, não apenas ranquear.
5. Como saber se meu site está aparecendo nas respostas das IAs?
Atualmente, é possível monitorar isso por meio de dashboards personalizados, rastreando menções e citações em resumos de IA, AI Overviews e resultados do ChatGPT ou Perplexity. Ferramentas como Athena e SerpAI já estão surgindo para acompanhar essa presença.
6. O que muda na produção de conteúdo?
A principal mudança é o foco em profundidade, autoridade e relevância real.
Conteúdo superficial tende a desaparecer, porque as IAs priorizam respostas úteis, fundamentadas e originais. A voz humana e a curadoria estratégica serão diferenciais.
7. Por que o branding é tão importante no SEO para IAs?
Porque as IAs tendem a recomendar marcas que já têm credibilidade, presença e citações positivas.
Ou seja: branding e reputação digital são os novos backlinks.
8. Como se preparar para essa nova era de buscas?
Continue investindo em SEO tradicional
Estruture conteúdos com foco em clareza e semântica
Monitore citações da sua marca em IAs
Teste novas plataformas (ChatGPT, Perplexity, Gemini)
E, acima de tudo, una ciência + autenticidade — o verdadeiro diferencial da era generativa.
💡 Insight Mariana Bueno da Alaska:
“O futuro não é aparecer no Google.
É ser citado pela IA.
E quem entender isso antes, vai dominar o jogo da influência digital.”

Mariana Bueno é fundadora da Alaska Marketing Digital, publicitária e pós-graduada em Neurociência e Comportamento Humano. Há mais de 15 anos, estuda marketing, comportamento do consumidor, inteligência artificial, criatividade e negócios, transformando esses aprendizados em estratégias, conteúdo e crescimento para empresas.
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Se você chegou até aqui, pode me chamar de Mari. :)
Sou fundadora da Alaska, uma agência que acredita que performance de verdade precisa existir no marketing como um todo, e não em apenas uma parte dele. Afinal, marketing é ciência antiga, não hype da moda. E o verdadeiro papel do marketing sempre foi um só: ajudar as pessoas a comprar. Acredito que só quem compreende como os seres humanos pensam, sentem e decidem consegue aplicar essa ciência com maestria.
Curiosa e inconformada por natureza, sigo estudando, testando e aprendendo, sempre com a mesma meta: fazer as pessoas entenderem que o marketing é uma disciplina séria, não uma ilusão vendida tão mal por gurus de internet. Aqui não tem fórmulas prontas e nem blá-blá-blá de guru.
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